10.17.2007

Divagando

Não sei de nada. Não sei mesmo! Apenas que esta musica e este cigarro são o conforto neste quarto branco e frio.
Há dias em que me vejo sorrir, entre a memoria do beijo longo e a cumplicidade do abraço roubado ao tempo que nos roubavam. Tínhamos sempre tão pouco tempo, lembras-te?
Era sempre noite e a sensação de fuga fazia bater mais forte no peito o coração. E fugíamos nem sei de quê, íamos de fuga em fuga como se não pudéssemos parar.
Davas-me a mão para me dizer, sem as palavras que sempre preferias reter entre a garganta e o olhar atento à estrada, que tudo estava bem, que renascíamos bebendo estes momentos tão únicos, tão nossos ate a exaustão dos sentidos, como se o saciar dessa sede fosse o indicio de um desejo infinitamente insaciável.
Não sei de nada, não! Mas quero-te nestas divagações a que me dou quando a solidão fala mais alto, nesta ansiedade que vou disfarçando mais um dia até que possa, de novo, renascer em ti.

6 comments:

Dalaila said...

e com estas memórias há passos no quarto que vai pintando com cor, porque há mãos que pintam momentos que não passam... permanecem... mas viveram-se
E quantos quartos ainda haverá por descobrir.

Lindo texto!

Putty Cat said...

Esta tua Divagação, tem muito que se lhe diga.
Tem muito que a mim me diz.

Excelente.

Beijo.

Ana said...

Lindo...lindo...lindo

adoro a tua escrita

Beijo

Zé Carlos said...

Ola Paulo. Obrigado, pelas visitas e pelos comentários que não deixas de fazer. Tenho que te ler, tenho andado adiar... tenho visto, mas não te tenho lido. Tens escritos sobre assuntos que me levam a memorias... ainda muito frescas... o que torna difícil.. ler-te, sem me ver no que escreves... Grande abraço.

Lavínia Matos said...

Hoje perdi-me durante horas a ler e a reler os teus poemas. Pensei comentar um por um, mas o meu vocabulário é demasiado pobre para exprimir a beleza e a espantosa qualidade dos teus textos. Queria dizer-te que o turbilhão de sentimentos que despontaram em mim (os teus poemas) me fizeram deixar escapar umas lágrimas, não própriamente (ou não só,)porque me entristeceram, mas porque fiquei tão "cheia" de mil e uma emoções que não coube dentro de mim.
Tens o dom da palavra escrita, e o dom de amar e merecer. Tenho um imenso orgulho em ti, por tudo o que és e por tudo o que fazes.
Luísa

Anonymous said...

Sinto o que escreves ao ler-te... Encontro no teu blog comentários da Lavínia, porque deixou ela de escrever? Os vossos escritos alimentam-me a alma...
Mare