11.16.2007



Não me perguntes o porquê deste silêncio…

Mais uma noite caiu, e para ti, tenho apenas o eco das palavras já tantas vezes repetidas. Hás-de lê-las na escuridão do teu quarto entregue a isso que te resta.

Não me fales de solidão e de distancia…

Trago na alma o cais das partidas, as noites em claro, o rosto exausto de muitos dias olhando a imensidão azul por aqueles que haviam de voltar.

Não me fales de futuro nem de esperança…

Afinal, é a resignação nesses teus gestos que vai quebrando o ritmo dos meus passos, é a ausência da tua voz que me vai mergulhando no silencio do tempo.

Não me perguntes pelo amor que tu sonhas e que eu sinto…

Esse amor das tuas palavras bonitas que eu espalho em todas as horas do meu dia e com que tu enfeitas as folhas nas gavetas escondidas…

Não me perguntes o porquê do meu silêncio
Quando ambos sabemos que é o teu que nos separa.

12 comments:

Ana said...

Excedeste-te!
Um momento sublime de inspiração
Um texto poderoso, lindo mesmo!

Lavínia Matos said...

Não sei como comentar, fiquei sem palavras. Um verdadeiro poema, muito mais do que lindo, é profundo e tocante como poucos que eu me lembre de ler. Parabéns.

Bento said...

bonito...

Anonymous said...

São os encontros desencontrados.
Os cruzamentos entre vidas que podiam ser perfeitos não fosse o que nos afasta.

Muito bonito, o texto.

Anonymous said...

Que bom que descobri este lugar!
No que escreves revejo cada parte de mim... aquela parte mais lunar, mais doce, mais nostálgica, enfim, mais humana.

Há nos teus textos uma lucidez inebriante, revestida de poesia e sensibilidade.

Emociono-me a ler-te.

Não vou perder de vista este cantinho.

César

Anonymous said...

O teu talento descreve retratos que todos já vivemos. Nem iaginas a verdade que está nas tuas palavras!
Mare

Cientista said...

Lindo texto, tão comovente e verdadeiro.

Brain said...

Sem mais palavras,
Subscrevo a Ana,
A 100%!!!!

Aquele Abraço.

Putty Cat said...

Como sou uma pessoa extremamente "original", na falta de palavras para adjectivar este teu escrito, tenho que subscrever ... a Ana (também).

Está perfeito. Dolorosamente REAL!

Abraço

P-S said...

Este texto é de facto algo muito sentido, muito imtimo...

Obrigado a todos pelas palavras, aos "conhecidos" e aos aos novos...

é bom ter-vos aí desse lado.

Dalaila said...

é o silêncio que nos berra na alma, porque as palavras não estão lá, de quem as queremos.

Mas aqui encontram-se palavras, magníficas, com uma simplicidade que arrepia.

É adoravel ler-te na curva das letras e é optimo conhecer a tua sensibilidade.

Parabéns

Ana said...

E não deixes de ouvir, porque no silêncio existem palavras para ti...

Um abraço.

Obrigada pela visita