11.25.2007

Dizeres IV

Imagino-me um barco navegando um oceano imenso.
Um barco sem velas num mar sem vento.
Por vezes as ondas fazem ranger as velhas tábuas de madeira gasta e esbatida e tudo adquire um tom fantasmagórico.
Não sei o que me fez partir nesta viagem, não sei se algo me empurrou, se tropecei no destino ou se estava no porto e simplesmente embarquei…
À noite experimento miragens ou alucinações que sempre me vão levando para longe daqui, que vão moldando o horizonte que a luz do dia mostra sempre igual.
Deixo-me levar pelo balanço e rumo em direcção a terras prometidas.

Sinto ventos de sorte sobre velas inventadas…e sigo…sem terra à vista nem porto de abrigo…

5 comments:

Anonymous said...

Nem imaginas como a tua escrita toca o que há de mais profundo no meu ser. Não sei se é premonição ou telepatia, mas descreves o que sinto e leio-me sofregamente nas tuas palavras, que eu não tenho coragem para pronunciar!
Mare

Luís Filipe C.T.Coutinho said...

Por vezes náo temos espaço para algo tão grande como nós próprios...

abraço

Maurice said...

às vezes apetece partir... Mas as terras prometidas e os portos de abrigo teremos de ser nós a construí-los. :)

Abraço

Dalaila said...

os portos de abrigo, são acompanhados pelo vento do norte, que nos arrepia, aquece a alma, sente-se na pele e faz-nos voar... assim como os teus dizeres, e as imagens que nos descreves

Bento said...

um dia sempre se encontra um porto de abrigo....