Ah meus dias deixados a essa quietude maculada, minha varanda para o tempo que passa.Loucura dos dias em que tudo enjoa e entontece.
Ah meus dias de solo árido, de inquietação, de feridas a gotejar sentidos...
Mendigam-se sonhos como pão.
Porque há sempre coisas que ficam por dizer. Coisas que se partilham apenas escrevendo numa especie de relaçao imtima entre a alma e o papel...





Hoje sou um daqueles dias sem graça, quando o horizonte confunde o céu com o mar numa névoa cinzenta e fria.
Não sinto nada, emocionalmente inerte, vejo o tempo que passa trazendo a chuva que deixa as ruas num abandono esquecido, depois o sol faz transpirar os vidros da janela. O meu olhar perdeu-se na paisagem que não vi…
Voltarei a unir os cacos do velho castelo de vidro tantas e tantas vezes destruído? - Não sei!
Os sentimentos estão lá, apenas dormem como num encantamento de contos de fadas. Uma espiga numa ceara em campo aberto à espera de um novo vento…
E eu, que sonhava conhecer o mundo inteiro, deixo-me ficar esquecido no conforto de não ter que sair daqui…




Foste breve, como alias seria de esperar. O teu olhar intenso, assustado, sem saber se fica ou se vai. Uma desesperante luta de ti para ti e eu no outro lado da linha sem saber ao certo se sim, se não, se nada!... Não quiseste, mas esse fogo queimou, fugiste mas o teu olhar ficou…perdido na retina do meu.
Ensinei-te tantas coisas que nem me lembrava que sabia. Mostrei-te o caminho do silêncio, o verdadeiro som e o alimento que há na música. Levei-te a ver o cume da montanha e as flores que despontam, coloridas, na imensidão das rochas escarpadas.